O Vírus do Ang Lee
(Trilha Sonora: Moacir Santos - Choros & Alegria)
“Across The Universe” é o novo filme de Julie Taymor, diretora cheia de talento de “Titus” e “Frida”. É uma história de amor como várias outras, mas com a diferença de que é pontuada, contada e cantada por meio de canções dos Beatles. E aí é uma covardia! Para quem cresceu adorando os reis do ié, ié, ié, ver este musical é uma experiência única. Já seria, para ser sincero, apenas pelos Beatles. Mas a obra é muito mais...
“Persepolis” nasce de uma graphic novel muito famosa na França – já lançada no Brasil – pela lembrança carinhosa e ingênua da vida conturbada da autora Marjane Satrapi, que nasceu no Irã e foi “obrigada” a migrar para a Europa. Os quadrinhos foram animados e viraram um filme autobiográfico que transborda emoção, dirigido pela mesma Marjane Satrapi, em parceria com Vincent Paronnaud. Não por acaso, é o escolhido pela França para representar o país na disputa pelo Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.
“A Casa das Cotovias” é o primeiro filme dos irmãos Taviani em quase 10 anos. Eu sou fã do trabalho de Paolo e Vittorio (na foto ao lado) . Na fila do cinema, tive de controlar a ansiedade tentando decorar a letra de “Chick Habit”, de April March, com meu iPod. Emoções assim, antecipadas, acabam por atrapalhar e prejudicar a percepção. Nos festivais pelos quais passou, a produção foi classificada pela crítica como excessivamente melodramática. Aqui no Brasil, Luiz Carlos Merten, o “Mestren” – dos poucos críticos que respeito, contra-atacou dizendo que é um melodrama sim, mas o melhor dos últimos 60 anos, desde Douglas Sirk. Infelizmente, fiquei decepcionado com o filme. Acho que o tal excesso de melodrama prejudica o resultado final, onde tudo parece desconexo, apesar de alguns bons momentos. Uma pena...
Amos Gitai é hoje o cineasta mais importante do Oriente Médio. A frase é repetida à exaustão por aí. É uma verdade, mas uma meia verdade. Amos Gitai é mais do que isso. É um dos cineastas mais importantes do mundo, rivalizando com Bernardo Bertolucci, Pedro Almodóvar e outros gênios.
Wes Anderson apareceu de repente e logo foi alçado ao patamar de grande diretor. Tudo por causa de “Os Excêntricos Tenenbaums”, um filme cheio de gente esquisita e só. Logo depois, Anderson fez “A Vida Aquática de Steve Zissou”. Peguei pela metade na TV e nada chamou minha atenção.
O cinema chinês que surge com força comercial no ocidente ainda está contaminado com os vírus do tigre e do dragão. Depois do sucesso de Ang Lee, cineastas consagrados como Zhang Yimou e Chen Kaige aderiram à moda. Mas só Zhang Yimou acertou!
Brian De Palma já foi assunto deste blog. Um tempo atrás disse que não veria “Dália Negra” – ainda não vi – por considerar o diretor uma fraude. Como uma espécie de boa ação, resolvi dar a ele uma nova chance e encarar uma sessão de “Redacted”, o filme que deu ao cineasta o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Veneza (acima) – e que eu critiquei, by the way...
O velho é o diretor Guilherme de Almeida Prado. Apesar de outros tantos filmes, ele ainda é lembrado por “A Dama do Cine Shangai”, um filme apenas razoável, que vive de óbvias citações ao cinema noir. Em “Onde Andará Dulce Veiga?”, o cineasta retoma sua obsessão, mais uma vez com Maitê Proença, e – adivinhem – não mostra nada de novo. É uma produção datada, fora de época, com uma direção ruim, um roteiro ainda pior e atores de chanchada e da Boca do Lixo (até Matilde Mastrangi!) com textos bem decorados. Nem vou falar em Carolina Dieckmann, que só é atriz para folhetins da Rede Globo (está ainda bem longe de uma interpretação mais séria, de verdade, no cinema). Sem a menor relevância.
Eu não quero perder tempo com Ang Lee, o palhaço que a crítica pseudo-intelectual adora celebrar. Já fiz muito em ir ver “Lust, Caution”. É grotesco que um filme patético como esse tenha vencido o último Festival de Veneza. Veremos até quando a máscara vai permanecer intacta. Há de cair!
“O Declínio do Império Americano” e “As Invasões Bárbaras” são pérolas do pessimismo das novas gerações – velhas também – diante de um mundo que mudou muito, e rápido demais. Para pior, obviamente. O diretor Denys Arcand capturou a desesperança com uma pequena dose de bom humor salpicada com a amargura de quem perdeu a direção da vida.
Quentin Tarantino é um dos melhores diretores em atividade. E seu talento não veio da faculdade, das teses acadêmicas ou de leituras consagradas. Nem de filmes consagrados. Veio do lado B do cinema, que ele conhece – e cultua – como ninguém.
O avanço da tecnologia, e desde os primórdios até hoje em dia, provoca mudanças na linguagem cinematográfica e facilita – e muito – a vida de milhares de diretores ao redor do mundo. Alguns crescem e elevam a arte a novos patamares. Outros ficam preguiçosos.